A internacionalização

Por Administrador

Edição V19N04 | Ano 2014 | Editorial Editorial | Páginas 13 até 14

Globalização e internacionalização são palavras do mundo corporativo. Para alcançar esse cenário, é imprescindível o domínio da língua inglesa. Não  menos na ciência brasileira, pois a CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) e o CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) vêm estimulando, de forma efusiva, a inserção da pós-graduação e da pesquisa científica no cenário internacional — mas a laje dessa edificação é a língua de Shakespeare. Programas na CAPES e no CNPq avançaram e são bons exemplos, a despeito de uma educação básica perneta. O programa Ciência sem Fronteiras, do Governo Federal, é um desses exemplos dos quais se tem orgulho. O programa foi ampliado e hoje reverbera na graduação, além da já reconhecida ação na pós-graduação. Entretanto, a oferta extrapola a procura, principalmente porque a maioria dos nossos universitários e pós-graduandos não domina a língua inglesa. A solução foi criar o programa Inglês sem Fronteiras.
Com uma Odontologia reconhecida— clínica e cientificamente — no mundo, os periódicos brasileiros vêm buscando, cada vez mais, a internacionalização,
no contrafluxo do apoio governamental a esse segmento. A internacionalização significa, em primeiro plano, a necessidade de comunicação em uma língua única. Na Odontologia brasileira, seis periódicos, entre os sete indexados pela base Scopus, são publicados totalmente em Inglês. O  “nosso” Dental Press Journal of Orthodontics (DPJO), com o ouvido no mundo, vem sendo veiculado nessa língua, além do Português, desde 2010. Esse é um dos marcos da internacionalização desse periódico, que vem sendo esculpida há quase uma década. Falar, diz-se, é diferente de se fazer ouvir. Por isso, concomitantemente à necessidade de se comunicar na língua preferida na ciência, é primordial divulgar o conteúdo do periódico. Assim, passo a passo, o periódico foi sendo abraçado pelas principais bases bibliográicas internacionais: SciELO (2005), Scopus (2008) e, mais recentemente  (2013), PubMed. Reconhecemos que um periódico publicado em uma língua universal amplia, de forma globalizada, o interesse dos consumidores da literatura odontológica. Mas qual seria o impacto do processo de internacionalização do DPJO no que tange ao interesse de autores estrangeiros? Somos conhecedores de que, nas últimas décadas, foi crescente o número de artigos publicados por ortodontistas brasileiros em periódicos internacionais; entretanto, o interesse por publicar em nossos periódicos não estava no mesmo compasso. Em 2012, quando o DPJO ainda não participava da base PubMed, apenas 3% dos artigos eram submetidos por pesquisadores estrangeiros. Eram artigos oriundos da Índia, Malásia e Irã, sem uma qualidade metodológica que nos permitisse aceitá-los para publicação. Após a inserção no PubMed, o número de submissões realizadas por estrangeiros cresceu vertiginosamente.
Ao analisar dados dos últimos doze meses (08/2013 a 07/2014), observamos que 1/3 das submissões ao DPJO são oriundas de diversos países estrangeiros, entre os quais Canadá, Estados Unidos, Itália, Colômbia, Paquistão, Índia, México, Arábia Saudita, Singapura e Irã. Aumento que supera os 1.000%. Nesse período, a taxa média de aceite do DPJO foi de 30% entre os artigos submetidos por brasileiros; entre os estrangeiros, a taxa ainda é baixa, em torno de 10%. Esses números nos permitem inferir que não só a quantidade dos artigos submetidos por pesquisadores de outros mares tem crescido, mas que alguns artigos de qualidade já aportam em nossas ribeiras.
Se há uma nova língua, a alma se renova e ganha o fôlego dos que buscam a liderança do mundo corporativo entrelaçado pela qualidade. Portanto, se o
exílio imposto ao poeta espanhol, citado em epígrafe, suscitou o aprendizado de um novo instrumento de comunicação capaz de reverberar a sua arte no mundo literário, o mesmo vem ocorrendo com nosso jovem periódico. Continuamos publicando em português; portanto, não abandonamos a língua camoniana, simplesmente adquirimos uma alma nova.